Esperar
Esperar.
Passamos a vida – ou isto a que rotularam de vida - a esperar. A esperar o toque do despertador que apita todos os dias sempre à mesma hora, pelo autocarro cujo condutor teima em atrasar-se, pela mãe ou pelo pai que regressam do trabalho a horas tardias, pelo irmão ou pela irmã que nos consome a pouca paciência que resta no fim de um dia exaustivo, pelo exame que evitamos e tememos, pelo postal do amigo que agora vive no outro canto do Mundo, pelo fim da Guerra, pelo dia do casamento e do nascimento dos filhos, pelo programa de TV de que tanto gostamos. Até mesmo que o telefone toque ou que a morte chegue. Sim, porque nascemos conscientes de que levaremos a vida a esperar coisas que podemos nunca conseguir alcançar, mas seguros de que um dia virá a morte para nos conduzir para outro local.
O facto é que passamos os dias ambicionando aquilo que projectamos (ou que os outros projectam por nós), lutando pelo que achamos querer, invejando e cobiçando a felicidade dos outros que não conseguimos alcançar – talvez porque não nos esforcemos para que isso aconteça. Esperamos sempre alguma coisa da vida, embora muitos de nós não o admitam. Esperamos tudo dela, mas recusamo-nos a vive-la só porque não conseguimos enfrentar os obstáculos que ela põe no nosso caminho. E fracassamos. Desistimos. Queremos ir pelo caminho mais fácil e recusamo-nos a lutar por aquilo que passamos os dias a... esperar!
Passamos as nossas muitas horas a esperar por pessoas que só existem na nossa mente, de actos que não passam de ilusões, da paz de espírito que não chega ou que o destino dê uma volta aos nossos momentos maus, transformando-os em felicidade. Abrimos mão de muitas coisas para tentar conquistar outras que consideramos mais valiosas. Orgulhamo-nos quando alcançamos o que esperávamos e escondemo-nos do resto do mundo quando fracassamos porque temos vergonha de encarar a realidade que se abate mesmo na nossa frente.
Não sei muito bem o que espero. Talvez não espere nada e me deixe levar ao sabor dos dias de tédio que vão passando. Ou talvez espere muitas coisas e não o admita porque o considero demasiadamente cobarde. Na verdade, acho que espero muitas coisas, tal como todos os meros mortais. Espero a paz interior, a loucura da juventude, o tal amor que dizem existir, o terminar de um curso que mal começou - será que já começou? -, da amizade em que não acredito... E sim, também eu aguardo o exame que temo, o autocarro duas vezes por dia, o programa fútil que passa tardiamente, a paz, a fraternidade, o amor, a morte por fim. Espero um abraço apertado, a descoberta de um ser que já mal conheço, o desmoronamento da muralha que construí com o mundo – ou que ele construiu comigo. Quero o frio e a chuva de que tanto gosto, a lua que me fascina e secretamente, reviver o passado com as pessoas mais importantes da minha vida que escaparam, por minha culpa.
Esperamos todos que seja o destino a revirar o nosso mundo, a mudar os pontos fracos das nossas vidas e a dar-nos aquilo que sempre esperamos. Mas seria tudo mais fácil, credível e real se fossemos nós a lutar por aquilo que realmente ambicionamos.
Não espero de mais aquilo que sei que nunca poderei ter. Espero apenas aquilo que todos esperam, consciente ou inconscientemente.
Passamos a vida – ou isto a que rotularam de vida - a esperar. A esperar o toque do despertador que apita todos os dias sempre à mesma hora, pelo autocarro cujo condutor teima em atrasar-se, pela mãe ou pelo pai que regressam do trabalho a horas tardias, pelo irmão ou pela irmã que nos consome a pouca paciência que resta no fim de um dia exaustivo, pelo exame que evitamos e tememos, pelo postal do amigo que agora vive no outro canto do Mundo, pelo fim da Guerra, pelo dia do casamento e do nascimento dos filhos, pelo programa de TV de que tanto gostamos. Até mesmo que o telefone toque ou que a morte chegue. Sim, porque nascemos conscientes de que levaremos a vida a esperar coisas que podemos nunca conseguir alcançar, mas seguros de que um dia virá a morte para nos conduzir para outro local.
O facto é que passamos os dias ambicionando aquilo que projectamos (ou que os outros projectam por nós), lutando pelo que achamos querer, invejando e cobiçando a felicidade dos outros que não conseguimos alcançar – talvez porque não nos esforcemos para que isso aconteça. Esperamos sempre alguma coisa da vida, embora muitos de nós não o admitam. Esperamos tudo dela, mas recusamo-nos a vive-la só porque não conseguimos enfrentar os obstáculos que ela põe no nosso caminho. E fracassamos. Desistimos. Queremos ir pelo caminho mais fácil e recusamo-nos a lutar por aquilo que passamos os dias a... esperar!
Passamos as nossas muitas horas a esperar por pessoas que só existem na nossa mente, de actos que não passam de ilusões, da paz de espírito que não chega ou que o destino dê uma volta aos nossos momentos maus, transformando-os em felicidade. Abrimos mão de muitas coisas para tentar conquistar outras que consideramos mais valiosas. Orgulhamo-nos quando alcançamos o que esperávamos e escondemo-nos do resto do mundo quando fracassamos porque temos vergonha de encarar a realidade que se abate mesmo na nossa frente.
Não sei muito bem o que espero. Talvez não espere nada e me deixe levar ao sabor dos dias de tédio que vão passando. Ou talvez espere muitas coisas e não o admita porque o considero demasiadamente cobarde. Na verdade, acho que espero muitas coisas, tal como todos os meros mortais. Espero a paz interior, a loucura da juventude, o tal amor que dizem existir, o terminar de um curso que mal começou - será que já começou? -, da amizade em que não acredito... E sim, também eu aguardo o exame que temo, o autocarro duas vezes por dia, o programa fútil que passa tardiamente, a paz, a fraternidade, o amor, a morte por fim. Espero um abraço apertado, a descoberta de um ser que já mal conheço, o desmoronamento da muralha que construí com o mundo – ou que ele construiu comigo. Quero o frio e a chuva de que tanto gosto, a lua que me fascina e secretamente, reviver o passado com as pessoas mais importantes da minha vida que escaparam, por minha culpa.
Esperamos todos que seja o destino a revirar o nosso mundo, a mudar os pontos fracos das nossas vidas e a dar-nos aquilo que sempre esperamos. Mas seria tudo mais fácil, credível e real se fossemos nós a lutar por aquilo que realmente ambicionamos.
Não espero de mais aquilo que sei que nunca poderei ter. Espero apenas aquilo que todos esperam, consciente ou inconscientemente.
5 Comments:
pois, mais um texto com ''essência Catarina'', bem redigido, bem estruturado e bem pensado.
No entanto, a meu ver, não deverias ter generalizado na primeira parte do texo. i mean, não devias ter usado o plural para explicar as coisas pelas quais esperas. Sim, podes falar em nome da maioria, e eu não quero parecer rude ao dizer isto (porque não é essa a intenção), mas já pensaste que também existem outras coisas pelas quais outras pessoas, não pertencentes à maioria, esperam? sim, e agora tu dizes: mas se eu não espero essas coisas porque as haveria de escrever? exactamente por isso não devias ter generalizado a situação. Não sei se me fiz entender, sei que deves estar a pensar ''lixa-te isabelle'' mas é para isto que os comentáios servem.
hmm.. fizeste bem, depois, em ter dado um toque mais pessoal. tá giro, mas podias postar aqui aquele texto que fizémos juntas sobre o Castelo-Branco, no 9º ano!
the end!*
Eu espero que o meu estômago n reclame de fome, pk quero emagrecer. Espero que os meus canários tenham bebés e daqueles ovos nao sai nada! Espero por ter 18 anos e poder andar ao volante de um carro =D Espero que vá pra unversidade e deixe a Santa covinha! Espero que o Euro-Milhões me saia ms as bolinhas que rodam lá so gostam dos espanhóis e dos franceses...! Bem, tb espero a morte... que um dia, há-de vir! =)
Tânia
(A cruela de Vil, Bruxa Má, Rainha das cartas, Hades, Peat e personagens más que atormentam as mentes das pequenas crianças inocentes!
Hmmm...sao 7 e pouco da manha e estou algures na Noruega, com pressa! Li o texto meio a correr.
Já se passaram uns dias de férias - mais uns momentos da minha adolescência - e a pergunta que mais tenho feito enquanto passeio pelas ruas é, incrivelmente [ou não]: "Laura, estás exactamente à espera de quê?"
Chego mais uma vez à estúpida conclusão de que não existe qualquer tipo de razão para a minha existência e, assim sendo, não posso existir.
E agora estão a chamar-me para ir para o autocarro. =(...mas continuarei a pensar nisto por dias a fio.
E um beijinho para vocês, totós.
oh laura, então não tinhas já chegado à brilhante conclusão de que não és uma incógnita?! existes sim pa!
(catarina, desculpa fazer do teu blog tb uma janela de convesa do msn, mas assim ela smp lê isto, ou não..)
Um texto muito bom =)
é vdd, sim senhora...
passamos toda a vida a esperar...
se formos a pensar bem , não sabemos o que fazemos aqui, neste local a k xamam de planeta terra...qual é a razao, o objectivo...
ja dizia um amigu meu k a unica certeza k temos da vida é a morte =/
obgd por teres comentado o meu blog =D
pois é...nem nos xegámos a encontrar =/
mas pode ser k nos encontremos em breve =D
bEijinhO*
cOntinuA A EscrEvEr*
=)*
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