quarta-feira, agosto 02, 2006

O vento já não me quer...

Páro. Páro para pensar mais um pouco e para me questionar acerca de quem sou e do que faço aqui, mais uma vez. Habituei-me a esta prisão que me consome. Habituei-me a estas caras que não vejo todos os dias mas que permanecem iguais. Habituei-me a sentimentos que me destroem. Habituei-me a não viver o que está para além das barreiras do meu corpo cansado. Habituei-me a ouvir as queixas dos outros e a aceitar os 1000 defeitos que diariamente me são apontados. Sinto-me cansada de dar e não receber, de ser magoada, de chorar simplesmente porque há um turbilhão de sentimentos a vaguear pela minha mente. Estou cansada de permanecer sozinha e da solidão consumir o meu interior sem que ninguém esteja do meu lado para a travar. Estou cansada de não saber como te adorar. Quero voltar ao meu passado, parar o tempo, sorrir e ser feliz. Quero fazer as pessoas que mais amo sentirem-se especiais como antes, mas parece que esse poder me foi roubado, porque essa missão falha sempre. Quero dizer que gosto, que amo, que desejo, mas não sai nem uma palavra... parece que estão presas num grito mudo que me sufoca. Quero correr de mãos dadas com o vento, mas os movimentos não se dão. O meu corpo está preso, por fim descubro. Fecho os olhos, as lágrimas correm pelo meu rosto, a música transforma o meu interior, a minha mente pesa mais um pouco, depois sinto-me elevar por entre este espaço que tão bem conheço. Já não caio como antes, agora tudo isto me eleva. Mais uma vez procuro quem quero. Mas não encontro, como tem vindo a ser hábito. As minhas mãos gelam enquanto a raiva se apodera das pontas dos meus dedos. O meu corpo morre de frio... Destruí tudo à minha volta, é verdade. Destruí o que de mais poderoso construí um dia, destruí o meu próprio mundo. Agora destruo-me a mim porque mais nada resta... Estou cansada e a morrer de tédio. Os meus braços estão cansadas de nada terem para fazer, os meus dedos estão mortos por não terem sítio onde tocar, a minha parede está tão vazia sem a tua presença... os meus olhos estão carregados de dor e lágrimas...! Não consigo, perdi a força. Reduzo-me ao nada que sempre fui, viro as costas ao mundo, caminho sozinha de mãos dadas com o vazio; o vento já não me quer... Tu já não me queres...
Apenas as minhas lágrimas e esta música são para ti. Nada mais.

6 Comments:

Blogger Catarina said...

já paravas com essas bocas mais que nesnecessárias e foleiras! :@

quarta-feira, agosto 02, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Se calhar as teus amigos teem de pensar q n é so receber e pensarem se te teem dado a devida atenção que mereces... se calahr toda esta raiva misturada com tristeza tem um sentido... deviam ler novamente e pensarem como teem sido voces com ela...

quarta-feira, agosto 02, 2006  
Blogger Joana. said...

O texto está muito bonito =)
Como ja falámos, ha kem consiga ser egocentrico =/
Mas sao estas pequenas coisas que nos ajudam a crescer e, um dia mais tarde, vais perceber o significado dessa raiva e dessa dor...
e vais pensar: "como é k não me apercebi antes?"
é assim...=/
Se precisares de alguma cena ja sabes =)
BEijO*

PS: a gente vê-se ;)

quarta-feira, agosto 02, 2006  
Blogger LCroft said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

quarta-feira, agosto 02, 2006  
Blogger LCroft said...

É estupidamente cruel a forma como uma fabulosa invenção como o tempo nos dá tudo e depois nos tira, num só instante. Mas temos mais é de aprender a viver com isso. É também estupidamente cruel o sentimento de saudade. O tédio, a solidão.
Um (ou mais) conselho(s): não te deixes abater por isso. Não excluas a possibilidade de te sentir feliz por um só momento que seja ainda que tudo aponte para o contrário. Não deixes que a melancolia te use. Usa-a tu a ela. Vive-a. Transforma-a em algo mais valioso. Tenta reconstruir. "Os que nunca ganham e ainda assim nunca desistem são estúpidos.". Por isso desiste, se o tiveres de fazer. Embora eu acredite que tudo o que o tempo não consegue apagar seja mais poderoso e valha mais a pena do que o que estás a viver agora.
Um beijinho*

quarta-feira, agosto 02, 2006  
Anonymous Anónimo said...

olha, como alguém diria: Revive!

quinta-feira, agosto 03, 2006  

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