sexta-feira, agosto 11, 2006

Sonho Eterno

Não tenho sono. Não consigo dormir, não quero deitar-me naquela cama, fechar os olhos e acordar horas depois para enfrentar mais um dia... Se ao menos soubesse que não acordava mais...
Apetece-me abandonar este abrigo (agora) inseguro, caminhar por aí sem destino algum, encontrar-te...
Não sei quem sou. Sei que mudei, que me transformaram e que eu própria me fui transformando. É exactamente por isso que já não me (re)conheço. Já magoei muitas pessoas, já fiz chorar muita gente, já fui a razão de muitas fúrias; mas também já fui magoada e raramente se lembram desse facto quando observam fixamente os meus olhos cansados de lutar por algo que não atinjo.
Gostava de saber como é que os outros me veêm. Quando me enfrento ao espelho não sei quem sou e fico ali a encarar o reflexo desconhecido até que ele se torne no nada (que já era e sempre foi).
Ultimamente tenho sentido imensa vontade de me deixar cair novamente. De passar estas feridas para o campo físico. Só queria descansar... e julgo que essa é a única forma de dar paz ao meu corpo. Há coisas reais dentro de mim. Só as quero exteriorizar para me libertar. Quero voltar ao meu passado e viver tudo de novo, ainda com uma intensidade maior. Quero matar o tempo (qual tempo?) para que não seja ele a matar-me a mim.
Aos olhos da maioria eu sou invisível. Para a maioria eu não passo de uma miúda frustrada e revoltada. É por isso que sou como sou. Porque combato o meu corpo (e a minha mente) para não pertencer também a essa maioria insensível. Eu só quero ser quem era... Ter a mínima importância que tinha antes de tudo isto. Quero alguém que me veja quando (realmente) estou invisível, quero alguém que me diga para quem existo e por que razão existo (eu existo?)!
Nesta altura imensos acontecimentos passam pela minha mente como um filme mudo. Momentos de que nem me recordava bem. Momentos com pessoas tão especiais e tão importantes, mas que parecem inexistentes no meu mini-Universo Diário. Estamos tão longe mas mentalmente tão perto...!
Olho para o infinito que é este quarto... monótono, parado e silencioso. Mantenho-me vazia, leve e imóvel como antes. Apenas com mais uma marca. Agora, dirijo-me exausta para a cama, desejando sonhar infinitamente (sabe-se-la-com-o-quê) e dormir eternamente num sono demasiadamente profundo... É sempre uma forma mais agradável de (desejar) morrer.

Isto não é dirigido a ninguém. Nem o considero um desabafo. É apenas mais um texto fútil. Tudo porque na imensidão de nada que é esta (in)existência, caí na tentação de abrir uma caixinha amarela, tão poderosa e especial... E as lágrimas venceram a solidão e a saudade, mais uma noite...
03:42h

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

i feel stupid and contagious!

sexta-feira, agosto 11, 2006  
Blogger Joana. said...

AlôÔô senhora dona catarina =)
Este texto não é futil, n senhor!
é um texto que está muito bem feito, pena é que seja daqueles textos que se consegue perceber que sao inspirados nas nossas frustraçoes, tristezas e depreções... =/
é, tb escrevo desses...
e admiro-os, apesar de terem essas características pouco saudáveis.
Faz bem escrever e desabafar desta forma, n faz?
Faz-nos ver as coisas com mais clareza e até nos ajuda a entender melhor a nossa mente, quando esta é exteriorizada através da caneta para o papel.

bEijinhO grAndE =)*

sábado, agosto 12, 2006  
Blogger Joana. said...

PS: e deixe esses pensamentos da "morte" sff =/
A gente brinca, mas kd xega a altura de lidar com isso n sabemos para que lado havemos de nos virar...

bEijinhO...mais uma vez =P

=)*

sábado, agosto 12, 2006  
Anonymous Anónimo said...

oh totö! tou na dinamarca!Laura

domingo, agosto 20, 2006  

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