quarta-feira, agosto 23, 2006

Esperar

Esperar.
Passamos a vida – ou isto a que rotularam de vida - a esperar. A esperar o toque do despertador que apita todos os dias sempre à mesma hora, pelo autocarro cujo condutor teima em atrasar-se, pela mãe ou pelo pai que regressam do trabalho a horas tardias, pelo irmão ou pela irmã que nos consome a pouca paciência que resta no fim de um dia exaustivo, pelo exame que evitamos e tememos, pelo postal do amigo que agora vive no outro canto do Mundo, pelo fim da Guerra, pelo dia do casamento e do nascimento dos filhos, pelo programa de TV de que tanto gostamos. Até mesmo que o telefone toque ou que a morte chegue. Sim, porque nascemos conscientes de que levaremos a vida a esperar coisas que podemos nunca conseguir alcançar, mas seguros de que um dia virá a morte para nos conduzir para outro local.
O facto é que passamos os dias ambicionando aquilo que projectamos (ou que os outros projectam por nós), lutando pelo que achamos querer, invejando e cobiçando a felicidade dos outros que não conseguimos alcançar – talvez porque não nos esforcemos para que isso aconteça. Esperamos sempre alguma coisa da vida, embora muitos de nós não o admitam. Esperamos tudo dela, mas recusamo-nos a vive-la só porque não conseguimos enfrentar os obstáculos que ela põe no nosso caminho. E fracassamos. Desistimos. Queremos ir pelo caminho mais fácil e recusamo-nos a lutar por aquilo que passamos os dias a... esperar!
Passamos as nossas muitas horas a esperar por pessoas que só existem na nossa mente, de actos que não passam de ilusões, da paz de espírito que não chega ou que o destino dê uma volta aos nossos momentos maus, transformando-os em felicidade. Abrimos mão de muitas coisas para tentar conquistar outras que consideramos mais valiosas. Orgulhamo-nos quando alcançamos o que esperávamos e escondemo-nos do resto do mundo quando fracassamos porque temos vergonha de encarar a realidade que se abate mesmo na nossa frente.
Não sei muito bem o que espero. Talvez não espere nada e me deixe levar ao sabor dos dias de tédio que vão passando. Ou talvez espere muitas coisas e não o admita porque o considero demasiadamente cobarde. Na verdade, acho que espero muitas coisas, tal como todos os meros mortais. Espero a paz interior, a loucura da juventude, o tal amor que dizem existir, o terminar de um curso que mal começou - será que já começou? -, da amizade em que não acredito... E sim, também eu aguardo o exame que temo, o autocarro duas vezes por dia, o programa fútil que passa tardiamente, a paz, a fraternidade, o amor, a morte por fim. Espero um abraço apertado, a descoberta de um ser que já mal conheço, o desmoronamento da muralha que construí com o mundo – ou que ele construiu comigo. Quero o frio e a chuva de que tanto gosto, a lua que me fascina e secretamente, reviver o passado com as pessoas mais importantes da minha vida que escaparam, por minha culpa.
Esperamos todos que seja o destino a revirar o nosso mundo, a mudar os pontos fracos das nossas vidas e a dar-nos aquilo que sempre esperamos. Mas seria tudo mais fácil, credível e real se fossemos nós a lutar por aquilo que realmente ambicionamos.
Não espero de mais aquilo que sei que nunca poderei ter. Espero apenas aquilo que todos esperam, consciente ou inconscientemente.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Sonho Eterno

Não tenho sono. Não consigo dormir, não quero deitar-me naquela cama, fechar os olhos e acordar horas depois para enfrentar mais um dia... Se ao menos soubesse que não acordava mais...
Apetece-me abandonar este abrigo (agora) inseguro, caminhar por aí sem destino algum, encontrar-te...
Não sei quem sou. Sei que mudei, que me transformaram e que eu própria me fui transformando. É exactamente por isso que já não me (re)conheço. Já magoei muitas pessoas, já fiz chorar muita gente, já fui a razão de muitas fúrias; mas também já fui magoada e raramente se lembram desse facto quando observam fixamente os meus olhos cansados de lutar por algo que não atinjo.
Gostava de saber como é que os outros me veêm. Quando me enfrento ao espelho não sei quem sou e fico ali a encarar o reflexo desconhecido até que ele se torne no nada (que já era e sempre foi).
Ultimamente tenho sentido imensa vontade de me deixar cair novamente. De passar estas feridas para o campo físico. Só queria descansar... e julgo que essa é a única forma de dar paz ao meu corpo. Há coisas reais dentro de mim. Só as quero exteriorizar para me libertar. Quero voltar ao meu passado e viver tudo de novo, ainda com uma intensidade maior. Quero matar o tempo (qual tempo?) para que não seja ele a matar-me a mim.
Aos olhos da maioria eu sou invisível. Para a maioria eu não passo de uma miúda frustrada e revoltada. É por isso que sou como sou. Porque combato o meu corpo (e a minha mente) para não pertencer também a essa maioria insensível. Eu só quero ser quem era... Ter a mínima importância que tinha antes de tudo isto. Quero alguém que me veja quando (realmente) estou invisível, quero alguém que me diga para quem existo e por que razão existo (eu existo?)!
Nesta altura imensos acontecimentos passam pela minha mente como um filme mudo. Momentos de que nem me recordava bem. Momentos com pessoas tão especiais e tão importantes, mas que parecem inexistentes no meu mini-Universo Diário. Estamos tão longe mas mentalmente tão perto...!
Olho para o infinito que é este quarto... monótono, parado e silencioso. Mantenho-me vazia, leve e imóvel como antes. Apenas com mais uma marca. Agora, dirijo-me exausta para a cama, desejando sonhar infinitamente (sabe-se-la-com-o-quê) e dormir eternamente num sono demasiadamente profundo... É sempre uma forma mais agradável de (desejar) morrer.

Isto não é dirigido a ninguém. Nem o considero um desabafo. É apenas mais um texto fútil. Tudo porque na imensidão de nada que é esta (in)existência, caí na tentação de abrir uma caixinha amarela, tão poderosa e especial... E as lágrimas venceram a solidão e a saudade, mais uma noite...
03:42h

domingo, agosto 06, 2006

Eu e as minhas qualidades...

Esta é a segunda vez que faço este post. Isto porque da primeira vez (por problemas de inexperiência) saí, sem o postar, o que é sempre bastante agradável e demonstra a minha extrema burrice!
Diariamente me são atribuídas muitas qualidades pelos meus “amigos”, pelos meus pais, até mesmo pelo meu irmão, ou anteriormente pelos meus professores e explicadores...! O que vou colocar aqui, não é nada mais, nada menos do que esses atributos: “és não auto-suficiente”, “és inculta, Catarina”, “és chata, irritante e histérica”, “pequena”, “és egoísta”, “és perfeccionista e de extremos, inconstante e incompreensível”, “infantil”, “és mesmo beta”, “Catarina, és má e impiedosa”, “tens cara de peixe”, “sua agressiva”, “mentirosa”, “és mesmo ciumenta e caprichosa”, “oh sua desgraçada sempre bêbeda”, “anormal”, “Catarina... és parva”, “imbecil e doida”, “és uma inútil”, “nunca pensei ter uma filha tão malandrona!”, “burra de merd*”, “totó” – sim, a Laura insiste :) – “vadia, não necessária à sociedade, mentalmente inferior, incapaz, reduzida!”, “és mesmo toyna”! Depois também há aqueles nomes como “nigga”, “popcorn”, “popstar”, “biscoita” com o bónus “azul” ou “de mer*a”, “pata” com o bónus de “pequena” ou “patada”! Enfim... eu sei que sou adorada pelas pessoas que me rodeiam... sei que elas gostam de mim, amam fazer actividades comigo e passar tempo com a minha pessoa deve ser o seu passatempo preferido! Agora seriamente falando, sou apenas uma miúda irrequieta, incompreensível, demasiadamente critica e oh pa, julgo muito os outros sem os conhecer, é verdade! Meus caros, aqui têm uma excelente oportunidade para, com um comentário, me atribuírem mais uma entre 1000 qualidades! Sim, porque esta lista está, seguramente incompleta!

Pronto... foi mais um post daqueles mais que pirosos e fúteis, dedicado a vocês, pessoas que me adoram... [cof cof]*

quarta-feira, agosto 02, 2006

O vento já não me quer...

Páro. Páro para pensar mais um pouco e para me questionar acerca de quem sou e do que faço aqui, mais uma vez. Habituei-me a esta prisão que me consome. Habituei-me a estas caras que não vejo todos os dias mas que permanecem iguais. Habituei-me a sentimentos que me destroem. Habituei-me a não viver o que está para além das barreiras do meu corpo cansado. Habituei-me a ouvir as queixas dos outros e a aceitar os 1000 defeitos que diariamente me são apontados. Sinto-me cansada de dar e não receber, de ser magoada, de chorar simplesmente porque há um turbilhão de sentimentos a vaguear pela minha mente. Estou cansada de permanecer sozinha e da solidão consumir o meu interior sem que ninguém esteja do meu lado para a travar. Estou cansada de não saber como te adorar. Quero voltar ao meu passado, parar o tempo, sorrir e ser feliz. Quero fazer as pessoas que mais amo sentirem-se especiais como antes, mas parece que esse poder me foi roubado, porque essa missão falha sempre. Quero dizer que gosto, que amo, que desejo, mas não sai nem uma palavra... parece que estão presas num grito mudo que me sufoca. Quero correr de mãos dadas com o vento, mas os movimentos não se dão. O meu corpo está preso, por fim descubro. Fecho os olhos, as lágrimas correm pelo meu rosto, a música transforma o meu interior, a minha mente pesa mais um pouco, depois sinto-me elevar por entre este espaço que tão bem conheço. Já não caio como antes, agora tudo isto me eleva. Mais uma vez procuro quem quero. Mas não encontro, como tem vindo a ser hábito. As minhas mãos gelam enquanto a raiva se apodera das pontas dos meus dedos. O meu corpo morre de frio... Destruí tudo à minha volta, é verdade. Destruí o que de mais poderoso construí um dia, destruí o meu próprio mundo. Agora destruo-me a mim porque mais nada resta... Estou cansada e a morrer de tédio. Os meus braços estão cansadas de nada terem para fazer, os meus dedos estão mortos por não terem sítio onde tocar, a minha parede está tão vazia sem a tua presença... os meus olhos estão carregados de dor e lágrimas...! Não consigo, perdi a força. Reduzo-me ao nada que sempre fui, viro as costas ao mundo, caminho sozinha de mãos dadas com o vazio; o vento já não me quer... Tu já não me queres...
Apenas as minhas lágrimas e esta música são para ti. Nada mais.