terça-feira, outubro 31, 2006

ESS em manifestações!

Quando acordei para estudar cápsulas de Bowman e glomérulos de Malpighi, não me passava pela cabeça aquilo que iria acontecer cerca de uma hora e meia depois. No autocarro podre rumei à escola como faço todos os dias e deparei-me com dezenas de alunos concentrados no exterior do estabelecimento de ensino, o que não é muito habitual, e o portão fechado a cadeado e albergando um sinal de stop. A greve tinha chegado a Silves, um dia depois do que estava planeado.
Fui surpreendida. Tinha teste e queria fazê-lo mas pretendia defender a minha opinião e lutar pelos meus direitos enquanto aluna. Não concordo com as aulas de substituição. E não é pelo facto de aproveitar essas horas para ‘fazer nada’ mas sim porque não tem qualquer utilidade estar com um professor que não nos esclarece duvidas e que nos ‘obriga’ a estar numa sala a resolver fichas ou a jogar à forca – estou no 11º ano! Também não estou de acordo com os exames de Matemática A e B e Português A e B num só exame, porque alguém sai daqui prejudicado. Mas sou uma mera aluna sem qualquer poder para fazer seja o que for. Ou pelo menos, era essa a minha opinião.
O facto de tudo começar com uma folha quadriculada e uma caneta cor-de-laranja que possuía o slogan “Abaixo a opressão, não às aulas de substituição” é talvez o mais surpreendente no meio de tudo isto. O facto é que rapidamente se arranjaram cartazes com slogans muito mais atractivos como “Substituição só da Ministra da Educação” ou "Nós só queremos a ministra para a rua" e se começou a gritar em uníssono e a saltar ao som de frases revolucionárias e originais.
Incentivados pelos próprios professores a não ir ás aulas decidimos ficar por ali a mostrar o desagrado perante esta situação que se arrasta há já mais de um mês. Intriga-me tudo o que se está a passar e com esta situação há uma questão que paira na minha cabeça sem qualquer hipótese de resposta: “Afinal, a ministra quer ajudar-nos a ter boas notas ou quer prejudicar-nos e dificultar a vida daqueles que serão o futuro de Portugal?” Pois a minha singela opinião inclina-se, indubitavelmente, para a segunda suposição.
Revoltados mas unidos contra esta situação, formamos cordões humanos e revoltamo-nos quando decidiram cortar as correntes e abrir o portão da escola, que teimamos em manter fechado. Preferindo levar faltas a assistir às aulas, o nosso esforço foi tão grande e tão sentido que os meios de comunicação compareceram na nossa escola para dar uma pouco mais de veracidade e significado a esta situação.
No ‘fim’, exaustos e sem voz, concentramo-nos em grupos e debatemos a situação. Percebemos que o nosso esforço conseguiu ir mais além do que esperávamos e orgulhamo-nos disso. Gostaríamos que não fosse necessário ter de repetir atitudes destas para a... senhora ministra compreender o nosso desagrado. A secundária não é obrigatória e seria muito bom que fosse percebido que em vez de estar a tornar-nos indivíduos melhores, ela está a semear a revolta.
Gostaríamos que esta manifestação, tal como as que têm ocorrido por aí fosse a base de uma mudança. E obrigada Isabelle!
E aproveitem para ver o vídeo da SIC já que a TVI me obrigou a filmar a reportagem com a máquina digital! http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20061031alunosfechamescolaacadeado.htm
"PS. - VOTA LISTA 13!"

terça-feira, outubro 17, 2006

Silêncio

Chove lá fora. Está frio. Gosto disso. Agasalho-me. Percorro a casa sem qualquer sentido nem objectivo, como se procurasse algo que na realidade, não procuro. Na minha mesa de cabeceira, “Os Maias”, que não leio há já alguns dias. Aqui mesmo ao meu lado, uma pilha de livros repletos de exercícios e páginas para estudar. O meu quarto está um caos – e como sabem, odeio isso. Há papéis espalhados, fichas que têm de ser resolvidos, matéria que tem de ser absorvida.
Tenho no computador dezenas de músicas que nunca ouvi. Aqui, alguns livros que nunca li e uns filmes que não tenho tempo de ver. Até mesmo molduras que esperam fotografias especiais. Continua a chover. Chocolate quente na mão. Um pijama que me cobre o corpo cansado. Desligo a TV e envolvo-me neste silêncio que não se quebra. Não sinto nada. Mas estou exausta.
Olho à minha volta e não existe nada. Não procuro; não encontro. Os pensamentos cruzam-se na minha mente gerando um turbilhão de recordações e de sentimentos. Percebo que penso demais. Às vezes dou comigo a pensar que penso demais. O silêncio contínuo, a excessiva monotonia. Estou cansada.
Na minha mente, mais um filme mudo. O nosso filme. Cada gargalhada, cada carinho, cada lágrima, todos os nossos momentos, todos os nossos segundos... Tudo aquilo que vivemos juntos, tudo tão perfeito. Depois, a música. A música mental que completa todas estas imagens. Sinto-me tão feliz assim que se pudesse, parava o mundo; fazia com que ele deixasse de girar em torno de algo que desconheço (não! Eu conheço)! Sou envolvida por uma estranha magia, um estranho poder que não controlo – nem quero controlar. Nestes momentos, o mundo à minha volta perde importância, o tempo que não tenho perde toda e qualquer importância também. Olho para o relógio, tentando controlar o incontrolável. Ainda é cedo e a chuva já parou.
Teria todas as razões para me sentir vazia. Para estar a deprimir neste sítio tão vazio, iluminado apenas por uma mínima luz. Mas estou feliz. Não esboço um sorriso, porque não há ninguém para o receber. Mas lá no fundo, sinto-me bem. Há muito tempo que não me sentia assim... Perfeita, esta paz.
Agito-me controladamente, tentando perceber o porquê de todos estes pensamentos difusos. Mas não há nada para perceber. Simplesmente porque nada faz sentido. Simplesmente porque já me habituei a viver onde nada faz sentido. Portanto, nada importa agora. A não ser, o filme esplêndido que continua a passar pela minha mente, tão completo quanto este silêncio. Tão completo quanto a chuva que volta agora a cair lá fora, e que observo atentamente através do vidro. Por mim, ficava assim para sempre. Mas como o ‘para sempre’ não existe...

Hmm.. os beijinhos, não é?

..à Laura que me ouve e que tem paciência para me aturar
..à Isabelle, que tem medo de mim quando me encontra na escola e que me torna culta no que toca aos Gregos :D
..à Tânia e à Ana... e elas sabem porquê :)
..à Joana, sim.. que lá me vai dando um abraço todos os dias e depois, com um sorriso no rosto me chama troll
..à Marina, com quem tenho partilhado aqueles pensamentos
..à prima, e sim, a todas aquelas 1000 pessoas com quem me cruzo diariamente e que lá no fundo, são bastante importante e indispensáveis no meu filme mental.


- FREE HUGS -

terça-feira, outubro 03, 2006

É por isso...

Enclausuro-me num sítio qualquer e contemplo o vazio. Procurei uma razão durante todos estes dias. Tentei encontrá-la em cada um dos muitos olhares que se cruzaram com o meu. Julgaram-me por isso. Portanto, o meu corpo experimentou muitas sensações que eu já não tinha o ‘privilégio’ de sentir há muito. Tenho vivido muitas coisas, é verdade. Tenho sentido a vida a passar-me pelos dedos sem a poder travar. Tenho rido, tenho chorado, tenho contemplado, têm-me magoado. Ninguém compreende porque choro, porque respondo mal ou porque ando impaciente. Nem eu compreendo. Tenho-me sentido num sítio oposto àquele em que estou, tenho sentido que não pertenço aqui – nem a lugar nenhum.
Choro porque sou invisível. Choro porque sou motivo de conversas. Choro porque não consigo sentir o que querem que eu sinta. Choro porque não sei de todo lidar com os ciúmes que sentem por aquilo que mais amo. Choro porque cobiçam aquilo que não tenho. Pensando bem, não sei porque choro.
É nestes momentos, que vem a revolta. O sentimento de impotência em relação a um presente que não se quer, a um passado que se ambiciona esquecer e a um futuro que se anseia viver. Há a alegria momentânea que sinto quando aquelas pessoas conseguem fazer-me sorrir e dar uma gargalhada. Há o medo. Há a paz. Há também a dor. E há, certamente, a razão. A razão que desconheço. E é por isso que me isolo, que me revolto, que mostro ser quem não sou e que viro o meu lado mau para fora, atingindo tudo e todos sem poder de o evitar. Há também aqueles pequenos momentos mágicos; não duram mais do que segundos (talvez menos do que isso).. mas são eles que me dão segurança e força para continuar. É a isso que me tenho agarrado. Porque já não chega o toque. Já não chega o som. Preciso apenas da razão, do motivo. Preciso de saber o que faço aqui e porque estou aqui. Tenho pensado nas minhas decisões. Concluo que não são as mais acertadas. Tenho pensado no futuro, embora não o queira fazer. Tenho pensado nas pessoas com quem me relaciono e no que essas relações provocam noutras pessoas, gerando um caos de sentimentos ou de... ressentimentos. Acabo por concluir também que não sou nada. Que não quero nada. Que tenho quase tudo o que ambiciono, porém. Acabo por perceber que nada faz sentido aqui. Sinto-me minúscula, invisível. Projectei tudo o que havia a projectar. Lutei pelo que havia a lutar. Construí o que tinha de ser construído. Vivi o que tinha de ser vivido, mas não estou segura de que conheci quem deveria ter conhecido. É por isso que choro. É por isso que deprimo. É por isso que me fecho e não deixo que me toquem. É também por isso que não passo um dia sem mostrar (nem que seja a mim mesma) a minha tendência pseudo-deprimente, já não passo um dia sem me magoar a mim mesma. É só por isso... porque nada faz sentido, porque não sei quem sou, porque não quero estar.
É também por tudo isto que me sinto na obrigação de agradecer às 5 pessoas que me têm compreendido e apoiado, porque é devido a elas que ainda me mantenho aqui. Atribuo as culpas deste texto sem qualquer sentido à adolescência e também a uma crise que começou na aula de Matemática quando compreendi que sabia resolver os tão complicados exercícios a que fui sujeita (MILAGRE!!)! Por todos estes aspectos, talvez seja melhor acabar por aqui com este blog.