Chove lá fora. Está frio. Gosto disso. Agasalho-me. Percorro a casa sem qualquer sentido nem objectivo, como se procurasse algo que na realidade, não procuro. Na minha mesa de cabeceira, “Os Maias”, que não leio há já alguns dias. Aqui mesmo ao meu lado, uma pilha de livros repletos de exercícios e páginas para estudar. O meu quarto está um caos – e como sabem, odeio isso. Há papéis espalhados, fichas que têm de ser resolvidos, matéria que tem de ser absorvida.
Tenho no computador dezenas de músicas que nunca ouvi. Aqui, alguns livros que nunca li e uns filmes que não tenho tempo de ver. Até mesmo molduras que esperam fotografias especiais. Continua a chover. Chocolate quente na mão. Um pijama que me cobre o corpo cansado. Desligo a TV e envolvo-me neste silêncio que não se quebra. Não sinto nada. Mas estou exausta.
Olho à minha volta e não existe nada. Não procuro; não encontro. Os pensamentos cruzam-se na minha mente gerando um turbilhão de recordações e de sentimentos. Percebo que penso demais. Às vezes dou comigo a pensar que penso demais. O silêncio contínuo, a excessiva monotonia. Estou cansada.
Na minha mente, mais um filme mudo. O nosso filme. Cada gargalhada, cada carinho, cada lágrima, todos os nossos momentos, todos os nossos segundos... Tudo aquilo que vivemos juntos, tudo tão perfeito. Depois, a música. A música mental que completa todas estas imagens. Sinto-me tão feliz assim que se pudesse, parava o mundo; fazia com que ele deixasse de girar em torno de algo que desconheço (não! Eu conheço)! Sou envolvida por uma estranha magia, um estranho poder que não controlo – nem quero controlar. Nestes momentos, o mundo à minha volta perde importância, o tempo que não tenho perde toda e qualquer importância também. Olho para o relógio, tentando controlar o incontrolável. Ainda é cedo e a chuva já parou.
Teria todas as razões para me sentir vazia. Para estar a deprimir neste sítio tão vazio, iluminado apenas por uma mínima luz. Mas estou feliz. Não esboço um sorriso, porque não há ninguém para o receber. Mas lá no fundo, sinto-me bem. Há muito tempo que não me sentia assim... Perfeita, esta paz.
Agito-me controladamente, tentando perceber o porquê de todos estes pensamentos difusos. Mas não há nada para perceber. Simplesmente porque nada faz sentido. Simplesmente porque já me habituei a viver onde nada faz sentido. Portanto, nada importa agora. A não ser, o filme esplêndido que continua a passar pela minha mente, tão completo quanto este silêncio. Tão completo quanto a chuva que volta agora a cair lá fora, e que observo atentamente através do vidro. Por mim, ficava assim para sempre. Mas como o ‘para sempre’ não existe...
Hmm.. os beijinhos, não é?
..à Laura que me ouve e que tem paciência para me aturar
..à Isabelle, que tem medo de mim quando me encontra na escola e que me torna culta no que toca aos Gregos :D
..à Tânia e à Ana... e elas sabem porquê :)
..à Joana, sim.. que lá me vai dando um abraço todos os dias e depois, com um sorriso no rosto me chama troll
..à Marina, com quem tenho partilhado aqueles pensamentos
..à prima, e sim, a todas aquelas 1000 pessoas com quem me cruzo diariamente e que lá no fundo, são bastante importante e indispensáveis no meu filme mental.
- FREE HUGS -